Na sombra das trevas,
abriam-se duas portas
grandiosas e espessas
onde o tempo as cobriu de pó.
Estas eram incorporadas de poder, robustez
e ficavam no fundo de uma sala
onde mais nenhum caminho se conhecia.
Na minha imagem mental,
poderia dizer que era o derradeiro FIM,
onde o “tudo ou nada” prevalecia.
A sua abertura era lenta,
talvez pelo seu tamanho e peso.
As ferragens centrais caíam com um estrondo
marcando a sua imponência …
Lentamente uma luz forte surgia!
Com dificuldade tentava manter os olhos abertos,
porém, fui obrigada a colocar um dos braços para os proteger.
A diferença de luminosidade era disparatada
e a minha curiosidade aumentava,
refletindo-se no meio do meu peito.
Cheguei a colocar uma mão, quase como se receasse
que o meu coração saltasse… metaforicamente claro!
…mas um gesto tão inconsciente,
que ao mesmo tempo me deixava esboçar um sorriso
do disparate que tal poderia parecer.
Com os olhos cerrados
aguardava que as portas abrissem na sua totalidade…
Já sentia o calor que embrenhava o meu corpo…
primeiro na face, percorrendo das bochechas até às orelhas
num movimento lento, tão lento
que o surreal me tocava a consciência…
Levemente o meu cabelo baloiçava…
Esperei pelo FIM desta sensação,
não que ela depois tenha deixado de existir
mas talvez por eu sentir que já a tinha saboreado o suficiente..
Abri os olhos
e se antes esperava ver algo, posso dizer que naquele momento nada via…
Porém isso não me reteve, pelo contrário
criou-me o impulso para avançar
mesmo que se do desconhecido se tratasse…
Sentia que era imperativo mover-me na sua direção…
Sem qualquer expectativa do que poderia encontrar
deixei que toda a luz me envolvesse à medida que caminhava…
Era tão límpida e suave que parecia que me tocava com cuidado…
Talvez para não assustar ou talvez porque era essa a sua essência…
Posso dizer que nunca houve um FIM
muito pelo contrário, este foi o inicio de qualquer coisa
que no meu coração sabia que era infindável…
Índia
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blind
against me
the touch of a naked finger
called the silent
of the darkness
missed in a wing of a damselfly
so thin
tricked your eyes
but not your touch
in a deep and wet kiss
i wanted to call your name
but your name i didn’t know
my thoughts were broken by
the warm of your presence
taking my balance
into a madness
a sweet, sweet madness
perhaps
there’s a dream that never ends
or never starts
and a memory of a moment
it’s like a mirage in a desert
forgotten in somewhere in my mind
Índia
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Arrependi-me
outrora pelas mãos vazias
que a razão me implorou…
Gabava-me da racionalidade
que em tenra idade se manifestava,
coberta de certezas vis
mas que a meus olhos
se assemelhavam a pródigos gestos…
Por isso se cresce,
por isso se ganha maturidade…
E o caminho torna-se inverso,
deixando a razão esvair-se pelas mãos,
por entre os dedos…
Libertando-me de enfeitiçadas correntes
que em tempos limitavam os movimentos…
Numa simples ginástica mental
a alma surge muito mais límpida…
Mergulho na água insípida,
num mergulho onde a rugosidade
se dissipa e numa leveza corporal
ganho expressão…
As frases feitas,
deixam que o seu significado seja prudente
e as loucuras que sempre estiveram inerentes
ao que me passa nas veias
ganham força…
E se por um lado se torna perigoso
por outro arrastam-me para a tona da água,
numa respiração mais sã, leve, tranquila…
E nesta dualidade
confirmo os meus medos
sem saber se os devo sentir para saber delinear os limites…
Pensando…
…..
….
Por momentos me perco nos pensamentos…
Não que tente encontrar justificações ou significados…
Apenas fico retida nas palavras,
esperando que estas me digam o que sentir
e num sim assertivo, mantenho a cabeça fora de água…
Índia
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